Manifesto das novas Brigadas Populares

Unidade aberta por uma nova maioria política e social para o Brasil. Este é o eixo estratégico que motiva e conduz a constituição de uma organização de caráter nacional, popular e socialista a partir das Brigadas Populares, Coletivo Autocrítica, Coletivo 21 de Junho (C21J) e do Movimento Revolucionário Nacionalista – círculos bolivarianos (MORENA – cb) em uma única organização para contribuir com a edificação de uma pátria soberana e socialista. Em seu sentido amplo significa recolher de forma critica e inovadora as tradições de luta e experiências históricas de larga duração dos setores nacionalistas revolucionários, comunistas e socialistas da esquerda brasileira.

As novas Brigadas Populares surgem para contribuir com a recomposição de uma alternativa popular de enfrentamento ao capitalismo dependente e associado e ao Estado capitalista vigente no país.

Estabelecemos como fundamentos das novas Brigadas Populares as seguintes bases teóricas e orientações estratégicas:

I) SOCIALISMO

O socialismo é a proposta de superação da irracionalidade capitalista e seus desdobramentos perversos sobre a condição de vida da classe trabalhadora e do futuro da humanidade. Apresenta-se como a aspiração mais elevada das massas populares em seu processo de emancipação. O socialismo no Brasil, portanto, não se confunde com modelos ou regras preestabelecidas, com arranjos teóricos abstratos, deslocados e alheios às experiências históricas da classe trabalhadora em cada país; mas se coloca enquanto produto da ampliação da soberania popular. Resultado das aspirações das maiorias em mediação com a realidade e com as possibilidades de cada tempo histórico. A originalidade e singularidade necessárias à emancipação social são requisitos fundamentais de toda revolução. Implica assim, na construção criativa e realista de uma nova forma de poder. Rompendo com doutrinarismos teóricos e subjetivismos analíticos que poluem o entendimento e a ação política.

O Brasil Socialista será obra do povo brasileiro em sintonia com o movimento internacional dos trabalhadores e trabalhadoras. Não será repetição ou cópia de experiências de outras formações sociais e de outros tempos, possui um registro próprio e em sintonia com os contornos contemporâneos.

A Revolução brasileira é o encontro da questão social, nacional e democrática. Uma vez que a conquista da soberania somente será plena se imbricada ao processo de modificação do padrão civilizatório vigente, fornecendo respostas às necessidades e aspirações populares. Tais transformações requerem a ampliação permanente dos mecanismos de intervenção democrática, incorporando as maiorias sociais à vida pública.

II) NACIONALISMO REVOLUCIONÁRIO

O povo brasileiro é uma coletividade humana singular e aberta. Nossa formação social e cultural sempre esteve conectada aos movimentos e transformações globais com sua identidade própria. Não como negação das demais nacionalidades, mas como afirmação do que somos, e, sobretudo, do que podemos ser.

Reivindicamos a Nação Brasileira e defendemos seu sentido sob a perspectiva revolucionária. Estamos em oposição ao nacionalismo burguês, que se utiliza de um discurso patriótico em favor de seus interesses econômicos, reforçando a tradição oligárquica do atual arranjo de dominação; e ao conto liberal que afirma que o mercado é o melhor eixo articulador da sociedade, sendo que este despreza qualquer iniciativa de autodeterminação dos povos.

Para nós a pátria, na sua dimensão mais profunda, é a afirmação da soberania popular e da autodeterminação. Cabe a nós, povo brasileiro, a responsabilidade de construir nosso destino de forma autônoma, sem tutela nem imposição de forças estranhas aos nossos interesses.

A autodeterminação não é a negação do internacionalismo, mas o requisito para a materialização de uma real solidariedade e união dos povos. O nacionalismo revolucionário não faz concessões ao chauvinismo pequeno burguês, nem ao internacionalismo abstrato; se coloca como ferramenta de emancipação do povo.

III) POR UMA NOVA MAIORIA

Definimos como estratégia da Revolução Brasileira a constituição de uma Nova Maioria em nosso país. Isso significa estabelecer um campo de forças sociais capazes de iniciativa na luta política que busque pela hegemonia em todas as dimensões da vida social.

Nós, revolucionários brasileiros, temos como missão a constituição de um poder de dissuasão próprio e o rompimento do cerco imposto pelas forças conservadoras e liberais. Para tanto, é necessário ampliar o diálogo com os demais setores de esquerda e disputar programaticamente o campo popular, a intelectualidade e a juventude.

A política revolucionária, com a qual nos comprometemos, deve ser arejada em suas formulações, flexível em suas táticas e conseqüente em seus objetivos; superando os modelos abstratos, subjetivistas e sectários que propõem alternativas fora do horizonte das grandes maiorias. Nossa política dialoga com o presente, apresenta medidas concretas para o momento atual e abre caminho para tarefas futuras. Igualmente, é fundamental que as grandes massas e os setores avançados da sociedade tenham em nós uma referência teórica, política e prática de natureza realista, sensata e convicta. Portanto, nossa ortodoxia reside no método, expressando nossa capacidade de, a partir da interação com as massas, encontrar soluções objetivas, contundentes e profundamente reais.

IV) UNIDADE ABERTA E AS DUAS TAREFAS ESTRATÉGICAS

A alternativa está na unidade. É urgente a superação da fragmentação do campo popular e de esquerda em nosso país, resultado da crise teórica, política e organizativa que se abateu sob os revolucionários nas últimas décadas. Nesta perspectiva urge a recomposição da perspectiva de unidade aberta, ou seja, a convergência constante e em diferentes níveis em torno de plataformas que acumulem força rumo ao socialismo.

Aos revolucionários cabem duas tarefas estratégicas e simultâneas: a construção de uma organização política própria, portadora de uma proposta de superação do capitalismo e de uma frente política ampla, de natureza anti-imperialista, antilatifundiária e antimonopolista que se articule em torno de um programa de libertação nacional.

A primeira tarefa estratégica objetiva recompor a capacidade orgânica dos setores revolucionários da esquerda brasileira, restabelecendo sua iniciativa na dinâmica da luta de classes e da disputa pelo poder no âmbito nacional. Implica, todavia, em produzir o entendimento contínuo das diversas agremiações socialistas nacionais, regionais e setoriais, que pelo isolamento político ou geográfico tem sua ação extremamente limitada. Entendimento este que aponte pra necessidade de um instrumento político de âmbito nacional e de natureza socialista, no qual a constituição das novas Brigadas Populares é uma contribuição neste caminho.

A direção revolucionária é fundamentalmente política, produto da constituição de um pensamento capaz de tornar-se a referência e alternativa de superação às limitações da ordem vigente. Sendo assim, estão superadas as noções vanguardistas de atuação, produtos do subjetivismo e do voluntarismo teórico e prático. A vanguarda necessária não é aquela que se distancia do conjunto social por meio de propostas que só fazem sentido aos “esclarecidos” e arrogantes “donos da verdade”; de outro modo, é aquela que trabalha de maneira mais eficaz as possibilidades e contradições do momento presente, disputando a preferência e a referência das massas e reafirmando sua autoridade política diante das demais organizações.

No tocante a segunda tarefa estratégica, a constituição da Frente Política é expressão de uma unidade em outro nível programático, no âmbito de um programa mínimo e de materialização imediata. Não se confunde, no entanto, com coligações conjunturais ou eleitorais, e sim com a constituição de um campo de forças capaz de expressar-se como uma Nova Maioria política. Este é o espaço das organizações revolucionárias em unidade com setores que tenham comum acordo com uma plataforma de libertação nacional.

Unidade, no entanto, não se confunde com identidade. É essencialmente uma relação entre diferentes. A maturidade política associada e a uma leitura realista da situação atual da luta de classes fecunda e motiva as possibilidades de congregação de diferentes tradições políticas em um único campo de forças, amplo em sua diversidade e coeso em seus objetivos principais.

Sendo assim, a unidade é uma exigência da Revolução Brasileira, o caminho pelo qual a organização revolucionária se afirmará como hegemonia e como parte de uma Nova Maioria política. Unidade em ampliação constante, sem isolamentos programáticos ou “essencialismos” de quaisquer tipos.

V) MILITANTE, POPULAR E DE MASSAS

Entendemos que a forma de organização deve sempre atender às necessidades da luta de classes. Não se confundindo com princípios, deve ser constantemente avaliada e atualizada com o intuito de melhor responder as demandas de cada contexto histórico e político.

A flexibilidade da organização revolucionária em seus métodos de funcionamento está fundamentada no caráter histórico e dinâmico que assumem as formações sociais e seus desdobramentos sobre a vida cotidiana e as formas de manifestação do poder do Bloco Dominante. Portanto, a pretensão primeira dos revolucionários não é criar a organização perfeita, mas a organização necessária para determinado contexto.

Para tanto, estabelecemos como diretrizes da forma organizativa dos revolucionários para o momento atual seu caráter militante, popular e de massas.

Nosso objetivo é formar uma militância revolucionária caracterizada por sua disciplina consciente, compromisso, capacidade de iniciativa e compreensão da análise materialista, dialética e histórica da realidade. No entanto, estas características são metas constantes do programa de formação da organização e não requisitos para a incorporação de membros. A atividade orgânica possui também sua dimensão pedagógica que deve ser orientada pela inclusão de todos aqueles que possuem acordo com a disciplina interna e com a plataforma política.

O caráter de massas da organização revolucionária é a qualidade necessária para atuar de maneira eficaz no atual momento histórico. As condições de complexidade da disputa política, associadas à exigência de uma atuação ampla em diversos setores e dimensões da vida social conduzem os revolucionários a assumirem uma organicidade massiva, não necessariamente composta por quadros, mas por militantes de diferentes níveis de compromisso e consciência, que dentro das limitações e contradições existentes contribuem para o acúmulo de forças na disputa de hegemonia.

O caráter popular da organização decorre da análise do sujeito da revolução brasileira. Um sujeito em construção, síntese de duas condições específicas: as condições de trabalhador e de povo. Nossa linha de massas parte da percepção de que não é possível separar a classe trabalhadora da sua condição de povo na disputa política. A diferença entre classe e povo se dá em uma dimensão analítica específica, dentro de um exercício de abstração que privilegia as categorias teóricas e informa a composição e a organização da sociedade capitalista em geral. No entanto, nos níveis mais concretos de análise, considerando as formações sociais, o povo e a classe estão imbricados e importam para a construção da estratégia revolucionária, sendo um erro político separar o trabalhador da sua condição de povo. O sujeito da revolução brasileira está nas fábricas, no campo, nas periferias dos grandes centros, nos presídios e ruas. Tomá-lo em toda sua complexidade é uma necessidade irrenunciável daqueles que procuram se estabelecer como alternativa à dominação capitalista.

Nosso estilo de trabalho, portanto, assume a referência na dimensão política pela soberania nacional e pela superação do capitalismo. No entanto, não descuida das condições de vida das massas, da situação cotidiana da reprodução da existência do povo trabalhador. A interação entre lutas econômicas e políticas é parte do método de acúmulo de força dos revolucionários, compreendendo o registro específico de cada dimensão da disputa, sem se confundir com o “economicismo” e o “vanguardismo”.

Nossa forma de inserção política tem como premissa o não aparelhamento dos movimentos sociais, estudantis, sindicais, etc. Compreendemos que a prática aparelhista efetuada por organizações de intenções revolucionárias tem gerado um ciclo vicioso que envolve a degeneração dos movimentos e a extinção de qualquer possibilidade revolucionária por parte destas organizações. Lutaremos pela radicalização da democracia! Este desafio está focado na superação da lógica liberal que tem prevalecido nos movimentos por meio da reorganização destes numa forma em que o dinheiro não esteja no centro da luta política e em que haja a redução drástica da diferença entre representantes e representados. Construir uma democracia mais avançada pressupõe uma nova pedagogia política que tenha como ponto de partida as necessidades da maioria e que garanta o espaço desta pro exercício de seu protagonismo político.

VI - CONCLUSÃO

A Revolução Brasileira não se trata do dissídio coletivo entre trabalhadores e patrões. É a constituição de uma maioria política na qual os trabalhadores se estabelecem como força dirigente. Ou seja, a espinha dorsal de um novo bloco hegemônico. Neste sentido, é um processo que enfrenta o problema da alteração do regime político em favor de uma democracia real e acumula forças para a superação do padrão “civilizatório” do capital, rumo ao socialismo.

Enfatizamos o caráter processual da transformação revolucionária, distanciando-nos das visões de tomada do poder via insurreição, em sentido restrito. A revolução não é um ato, um golpe, uma queda de governo, mais um conjunto de eventos históricos que reorganizam a sociedade em favor da classe trabalhadora, elevando o seu estatuto, construindo uma nova visão de mundo e a forma de produção da existência de uma determinada coletividade humana.

São Paulo, 18 de setembro de 2011

Execução controversa nos EUA abre debate sobre pena capital

A execução do prisioneiro Troy Davis com uma injeção letal no estado da Georgia, depois de um processo recheado de contradições e dúvidas, reabriu o debate sobre a aplicação da pena capital nos Estados Unidos.

O ex-presidente estadunidense Jimmy Carter pôs o dedo na ferida quando afirmou que "se um de nossos cidadãos é executado com tantas dúvidas em torno de sua culpabilidade, então o sistema de pena de morte em nosso país é injusto e obsoleto".

Carter expressou também sua confiança em que esta tragédia "nos leve, como nação, para uma rejeição total da pena capital".

Restabelecida em 1976, depois de uma moratória de 10 anos, a punição com a pena de morte tem seu máximo exponente no estado do Texas, onde 475 pessoas já foram executadas.

O caso Davis destaca-se agora no país como uma questão de importância enorme para juízes e promotoras na hora de emitir seus vereditos.

Sete das nove testemunhas voltaram atrás em seus depoimentos e acusações e persistiam sérias dúvidas na hora da aplicação da pena fatal.

"Não foi minha culpa, eu não tinha uma pistola, sou inocente", expressou o réu antes de morrer, o que abre uma série de questionamentos.

Juristas de prestígio no país consideram hoje que é preferível absolver um culpado do que condenar um inocente, afirmação que deve perturbar agora aqueles que negaram apelações de clemência realizadas pela defesa do réu.

O caso Davis foi apresentado por sua defesa como o protótipo do negro condenado injustamente pela morte de um branco, e sem dúvidas abrirá o debate em torno da aplicação da pena nos Estados Unidos.

Nos 34 estados do país onde se aplica esta condenação, desde 1976 foram mortas 1.269 pessoas, enquanto mais de 3.200 presos esperam no corredor da morte a consumação da sentença.

Em suas últimas declarações, Davis pediu a seus familiares que prosseguissem buscando elementos até demonstrar sua inocência, o que acentua as dúvidas sobre se foi executado um culpado ou um inocente.

Com informações da Prensa Latina


Chávez: Discurso de Obama é um monumento ao cinismo

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, qualificou o discurso de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, na 66ª Assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU), como um “monumento ao cinismo”.


Chávez, disse na quinta-feira (21) em cadeia nacional de televisão que “seu rosto [de Obama] o delatava, era um poema, um homem pedindo a paz, com que moral?”.

Chávez destacou que “os povos devem colocar-se de pé, os intelectuais, os pensadores têm que se posicionar para parar com a loucura imperialista, o incêndio que ameaça este planeta”.

Em seu pronunciamento na ONU, o presidente dos Estados Unidos criticou a Autoridade Nacional Palestina (ANP) por tentar conquistar o recohecimento do Estado por meio da ONU, recomendando que os palestinos desistissem do pedido.

Obama bateu na tecla de que “são os israelenses e os palestinos que têm de entrar em acordo", omitindo que o Estado de Israel descumpriu ou ignorou todos os acordo realizados entre as duas partes. Do acordo de Madri, em 1991 até hoje, os israelenses quadruplicaram as colônias ilegais em território palestino, por exemplo.

O ponto alto do cinismo no discurso de Obama foi dizer em relação ao processo de paz paralisado no Oriente Médio que "muitos estão frustrados. Eu certamente estou”.

Os palestinos iniciaram no último dia 8 a “Campanha Nacional pela Palestina, 194º Estado”, para que a ONU os reconheça.

Com agências

Prisão dos cinco cubanos completa 13 anos nesta segunda

Nesta segunda-feira (12), completam-se 13 anos que os cinco antiterroristas cubanos estão presos injustamente nos Estados Unidos. O Comitê Brasileiro pela Libertação dos 5 Cubanos reforça então a campanha pela libertação daqueles que são conhecidos em Cuba como os cinco heróis.

Em texto divulgado pela internet, o comitê afirma que o caso é o "maior exemplo da hipocrisia da suposta guerra contra o terrorismo do governo dos Estados Unidos". E destaca que os princípios dos cinco antiterroristas em defesa de Cuba" permanecem tão fortes como no ano de 1998, quando foram aprisionados pelo FBI". Leia abaixo:


Comitê Internacional pela Libertação dos 5 Cubanos

Junto aos 5 Cubanos até a Vitória


"Treze anos é muito tempo. Muitas coisas mudaram e outras também poderão mudar, porém o que jamais mudará é a certeza de nossa vitória e o agradecimento dos Cinco às pessoas que desde todas as partes do mundo nos tem brindado com sua solidariedade"

Por Gerardo Hernandez
Setembro, 12, 2011
Prision de Victorville


Para milhares de defensores dos 5 Cubanos é difícil pensar que hoje se cumprem 13 anos da injusta prisão de Antonio, Fernando, Gerardo, René e Ramón.

Não poderia existir um maior exemplo de hipocrisía da suposta guerra contra o terrorismo do governo dos Estados Unidos que o caso destes 5 homens valentes e honrados, verdadeiros lutadores contra o terrorismo e defensores de seu povo. Hoje seus princípios em defesa de Cuba permanecem tão fortes como no ano de 1998 quando foram aprisionados pelo FBI.

A luta pela libertação imediata dos 5 Cubanos cresceu nesses 13 anos e mais e mais pessoas estão familiarizadas com o caso. A razão principal pela qual as corporações de comunicação continuam ocultando o caso é porque se a verdade fosse conhecida, a opinião pública se uniria às vozes que pedem o fim dessa injustiça e o regresso dos Cinco a seus entes queridos.

Neste ano, o crescimento do movimento de solidariedade com esta causa se viu refletido em todo tipo de ações. Um exemplo disto é a campanha "o 5 de cada mês pelos 5" quando nesse dia, pessoas de todas as partes do mundo contactam a Casa Branca demandando a liberdade deles. Obama pode reverter esta injustiça com uma penada e até que isto ocorra, os faxes, cartas, correios eletrônicos e chamadas telefônicas não cessarão. Um novo filme documentando meio século de hostilidades contra Cuba intitulado "Que o Verdadeiro Terrorista por favor se Ponha de Pé" realizado pelo cineasta Saul Landau foi exibido em numerosas salas, começando com uma grande assistência no Teatro Brava de San Francisco. Desde que o documentário foi posto à venda, foram distribuídos mais de 1.000 cópias. Este documentário explica claramente as razões e a necessidade da presença dos Cinco em Miami para monitorar os grupos terroristas contra Cuba.

A maior inspiração dessa luta provém dos Cinco e seus familiares. Através dos anos, as esposas, mães, pais, irmãos e irmãs, filhos e filhas viajaram pelo mundo, falando sem descanso diante de líderes de todas as partes do planeta, parlamentares, grupos de solidariedade, trabalhadores e mais. Os Cinco são também ativos participantes de sua própria luta comunicando-se com pessoas de todos os rincões, conectando-se com os movimentos de solidariedade, enviando mensagens e reconhecimentos. Através dos anos, os Cinco se expressaram por meio da arte criando peças nas condições mais adversas. A mostra de caricaturas de Gerardo "Humor desde el Encierro" (Humor desde o Cárcere), começou a ser exibida neste ano em várias cidades, incluindo uma exposição durante um histórico evento de trabalhadores pelos Cinco na sede do Sindicato dos Serviços (SEIU por sus sigla em inglês) em Los Ángeles no mês de agosto. A mostra de pinturas de Antonio "Desde mi Altura" (De onde me encontro) percorreu numerosas cidades estadunidenses por dois anos. Ramón e René continuam escrevendo poemas e Fernando está começando a expressar-se também mediante pinturas.

Desde 2002 temos tido o privilégio de visitar Gerardo Hernández na prisão e no curso de longas horas de conversação pudemos ser testemunhas do caráter histórico dos 5 Cubanos, seu compromisso incondicional por um mundo melhor, sua capacidade de rir apesar dos anos transcorridos e seu grande amor pela humanidade.

Ao começar os 14 anos desta injustiça multiplicamos nosso compromisso de lutar junto aos Cinco até a Vitória!

Comitê Internacional pela Libertação dos 5 Cubanos

12 de setembro de 2011

Emir Sader: Minhas lembranças do 11 de setembro

Não era a primeira vez que eu despertava com o ruídos dos aviões sobrevoando a região. Dois meses e meio antes, no final de junho, tinha vivido essa circunstância angustiante. Tinha descido correndo até o Palácio da Moneda, que ficava a duas quadras do prédio de apartamento central onde eu morava.

Por Emir Sader, em seu blog


A imagem era a que voltaria a presenciar poucas semanas depois: tropas cercando o palácio presidencial. Setores das FFAA mais radicalizados forçavam o resto das instituições militares a acelerar o golpe em preparação. Mas as condições não estavam dadas, a tal ponto que o Comandante-em-chefe das FFAA ainda era leal a Allende – Carlos Prats, que percorreu todos os quarteis rebelados e, com argumentos e força moral, conseguiu a rendição dos golpistas.

Nessa noite, com a Praca da Constituição, em frente ao Palácio da Moneda, mais lotada do que nunca, Allende optou por consagrar as autoridades militares vigentes, não apenas, com justiça, a Prats, mas aos comandantes das outras armas, suspeitos de estar nas articulações golpistas. Estes seguiram seus planos, conseguiram tirar Prats e substituí-lo por Pinochet que passou, agora de dentro do governo mesmo, a articular o golpe.

No dia 4 de setembro, aniversário da vitória eleitoral de Allende, três anos antes, a maior multidão que o Chile tinha conhecido saiu às ruas para expressar seu apoio ao governo. Mas nada brecou as articulações golpistas. Quando Allende se preparava, dia 11 à noite, para fazer um pronunciamento ao país em rede de radio e televisão, os militares golpistas, alertados por Pinochet, anteciparam o golpe, aproveitando-se também das manobras militares de um porta-aviões norteamericano, no porto de Valparaíso.

Assim, poucas semanas depois, voltei a ser acordado pelo zumbido dos aviões sobrevoando. Desta vez não havia dúvidas que era uma nova tentativa de golpe, desta vez a definitiva. Desci da mesma maneira e fui à Praça da Constituição. Desta vez o Palácio da Moeda estava cercado por um contingente claramente maior de tropas.

Santiago já estava sendo ocupada, Valparaíso era a sede do movimento golpista, que tomava as rádios e TVs e Pinochet anunciava o ultimato a Allende, com prazo do meio dia, hora em que o Palácio da Moeda seria bombardeado. Paralelamente mandaram a Allende a proposta de que ele abandonasse o Palácio, com seus parentes, para ser enviado por helicóptero ao exterior. Ressoou por toda a Cordilheira o palavrão com que Allende rechaçou a oferta dos golpistas.

Allende se dirigiu pela última vez ao povo na rádio da central sindical, seu famoso discurso em que nanuncia que “mais cedo do que se imagina as grandes alamedas da democracia se reabrirão no Chile”. E seguiu resistindo, a partir da janelinha mais alta do Palácio, de onde se dirigia ao povo, com o capacete que os mineiros tinham dado a ele a o fuzil soviético AK-47 que Fidel tinha lhe presentado. Allende, um pacifista por excelência, empunhava armas para defender a democracia e o mandato que o povo lhe havia concedido.

O prazo foi adiado um pouco, mas finalmente os caças bombardeiros ingleses despejaram todo seu poder de fogo sobre o palácio presidencial, símbolo da extraordinária continuidade democrática chilena, só rompida, até ali, em dois breves momentos, desde 1830. A imagem que se reproduz sempre é significativa do que se vivia naquele momento: um presidente legitimamente eleito pelo povo chileno, cercado pelos militares golpistas, bombardeado, como resultado de um complô que tinha se iniciado assim que Allende ganhou as eleições, antes mesmo que tomasse posse.

Em reunião no Salão Oval da Casa Branca, Agustin Edwards, proprietário do jornal El Mercurio, se reuniu com Nixon e com Kissinger, começando a planejar o golpe. Kissinger afirmou que era preciso “salvar o povo chileno das suas loucuras”. Essa articulação desembocou no golpe, na destruição da ditadura chilena e na instauração do regime mais feroz que o Chile conheceu.

Allende preferiu o suicídio a abandonar o Palácio vivo. Neruda morre poucos dias depois de 11 de setembro. Victor Jara teve seus pulsos amputados e morreu no então Estadio Chile, rebatizado no fim da ditadura como Estadio Victor Jara. Milhares de pessoas foram presas, torturadas, assassinadas, desaparecidas, exiladas. A democracia chilena foi destruída, com ela o Parlamento, a Justica, os sindicatos, os partidos políticos, a imprensa democrática.

Tudo começou naquele 11 de setembro. Fui detido, junto com outros brasileiros, numa delegacia de polícia, assim que o toque de recolher foi suspenso e pudemos sair à rua. O Estádio Chile estava superlotado, não sabiam o que fazer com tanta gente esperando nas delegacias. Antes que voltasse o toque de recolher, liberaram uma parte dos presos, com o que pudemos ser liberados. Há 38 anos. O Chile começava a viver apenas o início do inferno de terror da ditadura pinochetista.

Fernando Morais lança livro sobre os cinco patriotas de Cuba

DEdicado aos cinco cubanos presos nos Estados Unidos, o livro Os últimos soldados da Guerra Fria, do escritor brasileiro Fernando Morais, será lançado no dia 23 de agosto em São Paulo, pela Editora Companhia das Letras.


Companhia das Letras
Os últimos soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais, conta a história dos agentes secretos infiltrados por Cuba em organizações de extrema direita nos Estados Unidos.



“Organizações criminosas internacionais, aventuras de capa e espada, disfarces perfeitos, emissários secretos, conquistas: o novo livro de Fernando Morais traz todos os elementos de suspense de uma novela de espionagem”, diz a nota de lançamento da editora.

Contudo, a nova obra de Morais, autor também do célebre romance Olga, não contém uma só gota de ficção. “A partir da saga da Rede Avispa, um seleto grupo de agentes secretos cubanos que se infiltraram em organizações anticastristas em Miami, o autor nos leva a um incrível mundo de James Bond tropicais, em que a diferença para o agente secreto inglês é a profunda escassez de recursos – técnicos e financeiros – para a realização de um trabalho perigoso e solitário.”

O autor Fernando Morais fala sobre a história contada pelo livro:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=KP6Wd7-8xxY


A orelha do livro acrescenta que “a razão desta operação era coletar informação com o fim de prevenir ataques terroristas em território cubano. De fato, algumas destas organizações apresentadas como ‘humanitárias’ participam de ações como enviar pragas contra cultivos na ilha, interferir nas transmissões da torre de controle do aeroporto de Havana, realizar atentados com bombas nos melhores hotéis do país e inclusive disparar tiros de metralhadoras contra navios de passageiros cubanos e turistas estrangeiros”.

Os últimos soldados da Guerra Fria, diz a editora, conta a incrível aventura desses agentes cubanos em território estadunidense e revela os tentáculos de uma rede terrorista com base na Flórida e células na América Central, que recebe apoio tácito de congressistas norte-americanos e a omissão de membros dos poderes Executivo e Judiciário dos Estados Unidos.

“Ao escrever uma história cheia de aventuras dignas dos melhores romances de espionagem, Fernando Morais mostra mais uma vez sua forma de fazer jornalismo de qualidade, com rigor investigativo, imparcialidade e uma narrativa literária sofisticada”, diz a Companhia das Letras.

Fernando Morais (Mariana, Minas Gerais, 1946) é jornalista e trabalhou no Jornal da Tarde, na revista Veja e em várias outras publicações da imprensa brasileira. Recebeu três vezes o Prêmio Esso e quatro vezes o Prêmio Abril de Jornalismo. Publicou, com a Companhia das Letras: Olga; Chatô: Rei do Brasil; Corações Sujos, A Ilha e Cem quilos de Ouro, e, com a editora Planeta, O Mago, Montenegro, e Na Toca dos Leões.

Fonte: Cubadebate
Tradução: Luana Bonone

WikiLeaks: Massacre da Praça da Paz Celestial foi um mito

Quantas vezes já nos disseram que os Estados Unidos são uma sociedade "aberta" e a mídia é "livre"? Geralmente tais frases são usadas para criticar outros países que não são "abertos", principalmente quando esses países não seguem a cartilha de Washington.

Por Deirdre Griswold, no Workers World
Se você mora nos Estados Unidos e depende da mídia comercial supostamente "livre" e "aberta" para se informar, sem sombra de dúvidas você acreditará que o governo chinês massacrou "centenas, talvez milhares" de estudantes na Praça da Paz Celestial, em 4 de junho de 1989. Desde então, essa frase foi repetida milhares de vezes pela mídia dos Estados Unidos.

Mas isso é um mito. Ainda por cima, o governo dos Estados Unidos sabe que é um mito. E todas as grandes mídias também sabem disso. Mas elas se recusam a corrigir a informação, por causa da hostilidade exibida pela classe dirigente do imperialismo americano contra a China.

E baseado em que faço essa afirmação? Diversas fontes.

A mais recente é a transmissão de vários telegramas, vazada pelo site WikiLeaks, da embaixada dos Estados Unidos em Pequim para ao Departamento de Estado dos EuA em junho de 1989, poucos dias depois dos acontecimentos na China.

A segunda é uma afirmação, feita em novembro de 1989 pelo chefe da sucursal pequinesa do jornal americano The New York Times, uma afirmação que jamais foi repetida pelo jornal.

E a terceira é o relato feito pelo próprio governo chinês do que aconteceu, o que é corroborado pelas duas fontes anteriores.

Somente um grande jornal do ocidente publicou os telegramas vazados pelo WikiLeaks a respeito do assunto. Foi o britânico The Telegraph, de Londres, que publicou material sobre o assunto exatamente no dia 4 de junho, exatamente 22 anos depois que o governo chinês colocou as tropas nas ruas de Pequim.

Dois telegramas, datados de 7 de julho de 1989, mais de um mês depois dos acontecimentos, relata o seguinte:

"Um diplomata chileno foi testemunha viva dos soldados entrando na Praça da Paz Celestial. Ele viu os militares entrarem na praça e não observou nenhum disparo em massa sobre a multidão, embora tenha escutado disparos esporádicos. ele disse que a maioria das tropas que entrou na praça estava armada apenas com dispositivos anti-motim, como escudos e cassetetes; eles foram apoiados por soldados armados".

Um outro telegrama dizia o seguinte: "Um diplomata chileno testemunhou no local os soldados ocupando a Praça da Paz Celestial: embora alguns disparos pudessem ser ouvidos, ele disse que não viu nenhum fogo contra a massa de estudantes, viu apenas alguns deles apanharem".

Deve-se lembrar que o Chile ainda vivia sob a ditadura do general Augusto Pinochet, que chegou ao poder via um violento golpe de extrema-direita, anti-socialista, apoiado pela direita dos Estados Unidos, no qual milhares de esquerdistas, incluindo o presidente do país, Salvador Allende, foram mortos. O tal diplomata chileno presente nos eventos na China não poderia ser considerado, jamais, um simpatizante da China.

Nenhum jornal americano, rede de televisão aberta ou a cabo, reportou ou comentou esses telegramas revelados pelo WikiLeaks, nem sequer a matéria do Telegraph sobre eles. Como sempre agem nessas ocaisões, fizeram um silêncio profundo sobre o tema.

Será que foi porque eles não acreditaram que a matéria do Telegraph tivesse credibilidade? Dificilmente.

Eles sabiam a verdade em 1989

O The New York Times sabe que tinha credibilidade. Seu próprio chefe de sucursal em Pequim na época, Nicholas Kristof, confirmou isso em um longo artigo, intitulado "Atualização da China: Como os linha-duras venceram", publicado na edição de domingo do caderno Sunday Times, em 12 de novembro de 1989, apenas cinco meses depois do suposto massacre na praça.

Bem no fim do artigo, cujo propósito era mostrar "por dentro" o debate entre a liderança do Partido Comunista Chinês, Kristof afirma categoricamente: "Baseado em minhas observações nas ruas, nenhuma versão está certa, nem a oficial nem as feitas por estrangeiros. Não houve massacre na Praça da Paz Celestial, embora tenha havido muitas mortes em outras partes".

Mesmo considerando que o artigo de Kristof é excessivamente crítico em relação à China, sua declaração de que "não houve massacre na Praça da Paz Celestial" fez com que virasse alvo das críticas de vários detratores da China nos Estados Unidos, como se viu nos dias posteriores na coluna de cartas do jornal.

Houve conflitos em Pequim? Claro que sim. Mas não houve massacre de estudandes desarmados na praça. O que aconteceu foi uma invenção do Ocidente para demonizar o governo chinês e aumentar a simpatia pública por uma contra-revolução.

A viragem no rumo de uma economia de mercado sob o governo de Deng Xioping alienou muitos trabalhadores. Houve também um elemento contra-revolucionário, tentando obter vantagem com o descontentamento popular para restaurar completamente o capitalismo na China.

Os imperialistas torciam para que os conflitos em Pequim trouxessem a um colapso o Partido Comunista da China e destruísse a planificação da economia – semelhante ao que ocorreu dois anos depois à União Soviética. Eles queriam "abrir" a China, não de verdade, mas para permitir aos bancos e corporações imperialistas o saque dos bens públicos.

Após ter ficado de sobreaviso por algum tempo, o Exército Popular de Libertação foi chamado e a sublevação foi esmagada. A China não se extinguiu como a União Soviética. Sua economia não implodiu nem caíram os padrões de vida. Muito pelo contrário. Salários e condições sociais foram melhorados ao mesmo tempo que trabalhadores ao redor do mundo são obrigados a arcar com severas crises do capitalismo.

A despeito de profundas concessões ao capitalismo, estrangeiro e doméstico, a China continua a ter uma economia planejada, baseada em uma forte infraestrutura estatal.

Fonte: Workers Workd: E-mail: dgriswold@workers.org

Solidariedade aos povos em luta...